Nossa Senhora, Divina Pastora

Surgiu a partir de uma”aparição” de Nossa Senhora naquele local, no dia 8 de dezembro de 1703, data em que se comemora a Natividade da Virgem Mãe de Deus. 

O Título de DIVINA PASTORA teve sua origem na cidade de Sevilha, Espanha. Surgiu a partir de uma”aparição” de Nossa Senhora naquele local, no dia 8 de dezembro de 1703, data em que se comemora a Natividade da Virgem Mãe de Deus. Sua imagem teria aparecido sentada numa rocha, vestida como pastora num local onde pastavam as ovelhas. Ela traz um cajado na mão, símbolo do pastoreio materno, da mãe que cuida de seus filhos. Inicialmente foi denominada “Virgem de Zagala” (que significa: pastora que cuida de seu rebanho), símbolo de uma mãe amorosa, está, como em toda sua presença na história da salvação, como aquela que colabora e conduz as ovelhas ao seu Filho Jesus, O Divino Pastor. As autoridades eclesiásticas aprovaram o culto à Divina Pastora em 1709, autorizando, assim, a criação de uma Irmandade da Divina Pastora. Esta irmandade, baseada na devoção à Nossa Senhora Divina Pastora, conseguiu arrebanhar tantos membros que o próprio Rei quis fazer parte da mesma. Um dos maiores propagadores da devoção à N. Sra. Divina Pastora foi um religioso Capuchinho, chamado Frei Isidoro. O principal santuário da Divina Pastora na América Latina está situado da ilha de Trindade, nas Antilhas. Através dos frades capuchinhos, este título chegou também à Venezuela no ano de 1778, sendo que no Brasil é mais intensamente conhecido no Estado de Sergipe que dedica não só o nome da cidade: DIVINA PASTORA desde 1836, mas também, a belíssima Igreja matriz que traz a sua invocação como padroeira. Das diversas irmandades espalhadas pela Espanha, sobretudo Sevilha, e da comunicação com as mesmas, apresentamos algumas orações do culto desenvolvido durante os séculos em louvor a Nossa Senhora, sob o título de Divina Pastora.
 
“Mãe do Divino Pastor” - Homilia do Bispo de Sevilha por ocasião da festa da Divina Pastora em 16 de Maio de 2000[1]
 
As horas do dia transcorrem e Maria sai ao entardecer vestida de Pastora, numa procissão sem fim. No início de minha homilia reflito sobre o fato da Virgem Maria ter nascido em Nazaré, mas em Sevilha, há que se demonstrar, obteve uma invocação que se espalhou ao mundo cristão: Pastora.
 
Tal devoção nasceu em San Gil, pelo enorme acerto de Frei Isidoro em considerar a Virgem como “Mãe do Bom Pastor”. Se entendemos o vocábulo pastora como aquela que cuida e guia o seu rebanho, a Virgem Maria foi a Pastora do Verbo que se encarnou, dando-lhe o primeiro templo que Deus habitou sobre a Terra. O seu ventre. Também foi Pastora ao dar-lhe seu coração: a primeira escola do menino-Deus. Terminada sua missão terrena, foi depois Pastora nossa, desde o momento da Assunção de seu corpo e alma ao céu. Divina Pastora de um redil sevilhano. Pastora dos capuchinhos que lhe veneraram primeiro sob essa invocação. Pastora de todas as ovelhas do rebalho de Cristo. Com seu cajado carinhoso ela nos orienta no caminho. Com a doçura de sua voz nos admoesta e intercede junto ao Bom Pastor. Chapéu, cajado, cabelos caheados...Símbolos pastoris que a acompanham há mais de 300 anos.
 
Daqui deste púlpito quero animar a todos os pastores de Sevilha para celebrar tão grande efeméride. Conclamo também, aos quatro ventos, para aprofundarmos todos a deliciosa experiência de sermos também filhos e ovelhas da mesma Mãe e Pastora do Bom Pastor.


[1] Tradução: Frei Guilherme Anselmo Júnior, SIA