Vida da Congregação Missionária de Santo Inácio de Antioquia

Gino Serafin nasceu em 31 de julho de 1936, Roncade, na Província de Treviso, região do Vêneto, na Itália. A imensidade de trabalhos pastorais que desenvolveu nesses 45 anos de Brasil deixou profundas marcas na vida das pessoas tocadas por Deus naquelas belas experiências. 

1. Identidade Inaciana

1.1 O nome: Congregação Missionária de Santo Inácio de Antioquia
A palavra MISSIONÁRIA exprime o denominador comum de todas as Sociedades de Vida Apostólica;
Santo Inácio de Antioquia é tomado como patrono e a mística, espiritualidade e práxis apostólica, contidas nas sete cartas atribuídas a este mártir do início do cristianismo, são fonte inesgostável para a vida dos membros da CMSIA;
A COMUNHÃO e a PARTICIPAÇÃO caracterizam a natureza, o fim, o espírito, o carisma, e a vocação da Congregação, expressa nas palavras de Jesus Cristo. “Eu vim para que todos tenham vida em abundância” (Jo 10,10).

1.2 A vocação
A vocação da CMSIA é viver a COMUNHÃO e a PARTICIPAÇÃO e para isto, todos os membros a CMSIA devem:
Procurar, com todas as forças, revestir-se do Espírito de Cristo, visando adquirir a perfeição exigida por tão sublime vocação. 
Ajudar freis, irmãs e leigos em sua própria formação, conduzindo-os a uma perfeita vivência de COMUNHÃO E PARTICIPAÇÃO. 

1.3 O carisma
  Assim como muitas congregações e ordens, o carisma de nossa comunidade não produz um campo carismático específico de trabalho. Mais que isso, o Espírito de Deus suscita esta comunidade para uma experiência e uma vivência espiritual diante de um mundo em que a dignidade humana está ameaçada e diante do anúncio que o Senhor Jesus faz para promover vida abundante. (cf. Jo 10,10) Pela Comunhão e Participação, os inacianos lançam-se, na radicalidade do batismo, como missionários da promoção da vida.

1.4 A Espiritualidade
  a) Trindade: a comunidade amorosa eternamente no encontro entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo é o modelo perene e inegociável para o restabelecimento do destino para o qual fomos todos criados: o amor. Assumindo nossa vida, o Filho a conduziu definitivamente ao convívio trinitário, resgatando-nos. Portanto, os inacianos contemplam, anunciam e promovem as relações humanas iluminadas sempre pela perfeição que angustia e motiva o agir do homem e da mulher que buscam a Deus e lançam-se no encontro fraterno;
  b) Inácio de Antioquia: nosso fundador nos presenteou com esse patrono do início do II século cristão. Sua paixão avassaladora pelo Cristo é motivação exemplar no caminho de entrega eucarística da vida. A defesa da fé, a unidade na diversidade, o amor à Igreja, a consciência da hierarquia como instrumento de santidade, o respeito ao Bispo tendo como modelo a relação obediente de Jesus a seu Pai, a misericórdia e a tolerância, a concórdia são alguns dos temas que brilham nas sete cartas desse Padre Apostólico, atuais e fontes privilegiadas de reflexão para os cristãos. Ser “pão moído”, oferecer-se generosa e corajosamente é um belo canto dos consagrados de todos os tempos;
  c) Maria, nossa Senhora Pastora: a mãe do Bom Pastor, que conduz as ovelhas a seu Filho, nos ensina a tratarmos com carinho de pastores todos com quem convivemos. Sua poderosa intercessão é um porto seguro no caminho de conversão diária, de busca de obediência, de vida pobre e casta, de fidelidade ao amor primeiro;
  d) CELAM de Puebla: a comunhão e a participação como fonte, caminho e meta vital das comunidades eclesiais;
  e) Jo 10,10: vivemos num mundo de várias propostas que vêm para roubar, matar, destruir. Contudo, neste mesmo mundo, somos convocados a promover a “vida abundante”.


Fundador
Gino Serafin nasceu em 31 de julho de 1936, Roncade, na Província de Treviso, região do Vêneto, na Itália. Cresceu numa grande família, em ambiente de profunda simplicidade e alegria, no contexto social complexo da II Guerra Mundial. 
Depois da guerra entrou no seminário diocesano da cidade-província de Treviso. Começou como porteiro, estudando matemática, história, geografia, etc, com a ajuda dos seminaristas, porque estava atrasado devido à guerra. Levou três anos para chegar ao nível necessário para a Filosofia. Foi acolhido entre os Missionários da Consolata, porque o seminário diocesano não estava preparado, naquela época, para receber uma vocação tardia (ele já tinha mais de 20 anos naquele momento). Foi ordenado presbítero em 22 de dezembro de 1967. Logo em seguida, em 28 de janeiro 1969, desembarcou no Brasil como missionário.
Trabalhou em diversas paróquias, formou-se em Direito Canônico e Psicologia, especializou-se em Teologia (Cristologia, Eclesiologia). Sempre foi uma referência na Arquidiocese do Rio de Janeiro, onde se fixou logo após sua chegada, como pai espiritual de vocacionados, seminaristas e padres. Um homem de acolhida e misericórdia, uma alavanca nas mãos de Deus para reerguer pessoas caídas, resgatar sua dignidade, promover a vida. 
A imensidade de trabalhos pastorais que desenvolveu nesses 45 anos de Brasil deixou profundas marcas na vida das pessoas tocadas por Deus naquelas belas experiências. Fundou o Movimento Comunhão e Participação em 1981, depois de cerca de cinco anos desenvolvendo encontros com jovens, casais e famílias na formação de lideranças cristãs. Milhares de pessoas passaram por esses encontros. Por isso, o Movimento que deles surgiu, tornou-se um baluarte do carisma que o então Pe. Gino tinha plantado em seu coração. Com o tempo, nesses inúmeros grupos, Deus suscitou vocações à vida consagrada que foram sendo acolhida paulatinamente. Em outubro de 1991, ele fundou oficialmente a Família Inaciana com três ramos: os leigos (oblatos) que já existiam, as irmãs e os frades.
Hoje tem 78 anos. Segue com muita saúde e animado pela fé. Suas palavras doces como o mel e certeiras como a flecha marcam a vida de todos quantos se encontram com ele. É um sinal de Deus na vida dos inacianos, um amparo nas dificuldades do caminho e uma presença de segurança e conforto. Há cerca de dez anos, por opção própria, afastou-se do governo da CMSIA. Já se passaram alguns mandatos eleitos depois disso, sempre em profunda comunhão com ele, o que confirma os frutos das sementes por ele plantadas no seio dessa comunidade nascente.

Oração
Conscientes da necessidade de uma Relação Pessoal com Deus pela oração, devemos estabelecer em nosso projeto pessoal uma hierarquia de valores que nos permitam momentos íntimos com o Senhor, combatendo assim, o ativismo e egocentrismo. “Maria escolheu a melhor parte que não será tirada”(Lc 10,42)
A abundância da graça é obtida no contato com o Senhor. Por isso, sacrificar o tempo consagrado no contato direto com Deus pela oração, sob pretextos de trabalho, de apostolado, é ignorar que nossa missão apostólica é tanto mais eficaz e benéfica quanto maior for nossa fidelidade em nos abastecermos nesta rica fonte de luz e força. 
Em qualquer hora ou situação podemos encontrar em Deus, que habita em nós, o refúgio de que tanto precisamos, principalmente na agitação das grandes cidades. Pela fé e o amor, encontraremos no Senhor a renovação do dinamismo e paz de que realmente necessitamos.
Não podemos dispensar a oração, que desenvolve em nós a vida Divina e faz com que a irradiemos à nossa volta, numa atitude de alma apostólica e missionária. “Não é possível ser apostólico sem primeiro ser contemplativo”.
Em nossa vida de oração, cada membro sinta-se livre quanto aos métodos utilizados, pois a oração nasce, sobretudo, de uma atitude interior feita de comunhão e de intimidade com Deus presente em nós.
Por isso, a oração não há de quebrar a espontaneidade do nosso coração que deseja, antes de mais nada, exprimir o que sente, para além das palavras e das frases feitas.

O sinal autêntico de nossa vida de oração será o testemunho de nosso grande amor a Deus e aos irmãos. Quando tivermos de apreciar a qualidade da oração, havemos de ter sempre como ponto de referência estes dois sinais que nosso Senhor nos deixou:
1º - “Se alguém me tem amor, guardará a minha palavra”. (Jo 14,23)
2º - “Todos hão de reconhecer que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”. (Jo 13,35).
O primeiro sinal tem em vista o cumprimento da Vontade do Senhor, que se manifesta na Sua Palavra e nas Inspirações do Espírito Santo, ao longo do nosso dia (oração contínua).
O segundo sinal refere-se à Caridade Fraterna; é este realmente o critério e a pedra de toques de toda a oração autêntica. 
“Quem diz que ama a Deus e não ama seu irmão é mentiroso”. (ICor 13, 1-13)
Queremos, portanto, viver numa atitude de escuta contemplativa e cheia de atenção, de quem aguarda, amorosa e atentamente, o Esposo e Salvador de nosso Ser, que vem falar-nos, que vem comunicar-se, que quer comunicar-se com sua criatura, tornando-nos seus discípulos(as) amados(as) e seguidores(as), fortalecidos(as) pelo Espírito Santo.
Nossa vida de oração deve nos tornar capazes de ESCUTAR e RESPONDER aos apelos do Senhor, através das exigências de uma fidelidade renovada, e numa consciência profunda de nossa disponibilidade em relação a ELE e aos OUTROS.
Como contemplativos na ação apostólica, para nós, oração e missão identificam-se totalmente e culminam no Mistério da cruz gloriosa. É reassumirmos a Adoração de Cristo ao Pai, no Espírito Santo, sem nos dissociarmos nunca do “SIM”, sempre renovado à Missão que nos foi confiada. (Jo 4,23).
Por isso, cada dia, estejamos atentos(as) ao Senhor que desperta seus discípulos e discípulas, abre-nos os ouvidos para que O escutemos, orientando-nos para um envio pronto e generoso ao serviço dos irmãos e irmãs.
A cada dia recebemos nossa lição, pondo nossos “ouvidos interiores” nas “Sagradas Escrituras” no rosto de Jesus Cristo, única PALAVRA DO PAI, para decifrar a Amorosa Vontade de Deus e Seus Desígnios surpreendentes, nas exigências do nosso quotidiano, escrevendo a nossa história com o senso crítico do nosso SEGUIMENTO DE JESUS CRISTO. 

A Comunhão
Pela vivência da mais perfeita COMUNHÃO, todos os membros da CMSIA se comprometem totalmente com o plano divino da salvação, procurando conduzir todas as pessoas, de qualquer faixa etária e situacional, à perfeita reconciliação com o Deus vivo e verdadeiro, e conseqüentemente, consigo mesmas, com os outros e com o universo que as cerca. 
procurar a plena comunhão com a Igreja Católica, unindo-se à ela como à própria mãe, em sua estrutura visível, através dos três vínculos de fé, dos sacramentos e do regime eclesiástico. (CDC - Cân. 205). “Assim como o Senhor nada fez sem o Pai com o qual estava unido, nem pessoalmente, nem através dos apóstolos assim também vós nada haveis de empreender sem o bispo e os presbíteros, nem queirais tentar fazer passar por razoável o que fazeis à parte. Cuidai mesmo de haver, em comum, uma só oração, uma só súplica, uma só mente, uma esperança, na caridade, na alegria imperturbável; isto é, Jesus Cristo, a quem nada é preferível. Acorrei todos ao único templo de Deus, ao único altar do sacrifício, a um só Jesus Cristo, que saiu de um só Pai, permaneceu num só e a Ele voltou.” (Carta aos Magnésios, cap. 7)
ajudar todas as pessoas no sentido de não perderem essa plena comunhão com a Igreja Católica, nem pela heresia, nem pelo cisma, nem pela apostasia (CDC - Cân. 751). “Não vos deixeis ungir pelo mau odor da doutrina do príncipe deste mundo, de forma que vos leve cativos para longe da vida que vos espera. Por que não nos tornamos prudentes, aceitando o conhecimento de Deus, isto é, Jesus Cristo? Por que morrermos tolamente, desconhecendo o dom que o Senhor nos enviou de verdade?” (Carta aos efésios, cap. 17).


A Participação
Afim de promoverem a mais perfeita PARTICIPAÇÃO, todos os membros da CMSIA, não somente a vivam, mas procurem arrastar à mesma todas as pessoas, particularmente os fiéis cristãos, já configurados a Cristo, e incorporados à Igreja pelo batismo, constituídos Povo de Deus e participantes, a seu modo, da mesma missão salvífica sacerdotal, profética e régia de Cristo, afim de exercerem, segundo a condição de cada um, a missão que Deus confiou para a Igreja cumprir neste mundo.(CDC - Cân. 204).
Para motivar todos os fiéis cristãos no sentido de uma maior PARTICIPAÇÃO, importa lembrar continuamente que, sendo a Igreja toda missionária por sua própria natureza, e sendo a obra da evangelização dever fundamental do Povo de Deus, todos os fiéis cristãos, conscientes da própria responsabilidade, assumam, cada um a seu modo, a sua parte na obra missionária. (CDC - Cân. 781). Santo Inácio de Antioquia tem esse tema como um de seus preferidos: “Convém pois não chamar-se apenas cristão, mas o ser também; assim existem pessoas que falam do bispo, mas fazem tudo sem ele. Estes tais não me parecem estar de consciência boa, porque suas reuniões não são legitimas, conforme o mandamento.”(Carta aos magnésios, cap. 4). E ainda: “Por isso, no acorde de vossos sentimentos e em vossa caridade harmoniosa, Jesus Cristo é que é cantado. Mas também, um por um, chegais a formar um coro, para cantardes juntos em harmonia; acertando o tom de Deus na unidade, cantais em uníssono por Jesus ao Pai, a fim de que vos escute e reconheça pelas vossas boas obras, que sois membros de seu Filho. Vale assim a pena viver em unidade intangível, para que a toda hora também participeis de Deus.” (Carta aos efésios, cap. 4)          
 

Missão
Frente aos desafios de uma humanidade individualista, dividida, em desordem nas relações humanas, e que tende a perder os vestígios do Deus Verdadeiro, temos como finalidade Apostólica proclamar com a palavra e com a vida, a Boa Nova do Evangelho de Jesus Cristo: “Eu vim para que todos tenham vida! E vida em abundância” (Jo 10,10b).
Assim, nosso peculiar CARISMA será sempre defender a Vida do Ser Humano, na sua integridade física, psíquica e espiritual.
Vivemos no meio de uma humanidade que sofre porque perdeu o eixo central da existência: o Deus Vivo e Verdadeiro. O coração humano se dispersa de sua única fonte de vida cristalina, de uma Água Viva, que é o Senhor. À luz da Palavra de Deus, deixando-nos guiar pela luz do Espírito Santo, queremos levar todos à uma consciência sempre mais profunda da importância de sua existência, a sentir-se privilegiado(a), escolhido(a) como templo vivo do Senhor.
Essa consciência nos dá uma razão muito mais forte e muito superior à filantropia, à política, à amizade, no compromisso, no esforço e na luta em favor da humanidade!
Em nossa vida missionária devemos estar sempre conscientes de que toda a nossa ação apostólica só tem sentido enquanto prolonga a missão do próprio Cristo, com a Força do Espírito Santo, através de sua Igreja.
 

Somos irmãos
A CMSIA reúne, na Igreja, pessoas que se consagram ao Deus Uno e Trino, a fim de viverem a COMUNHÃO e a PARTICIPAÇÃO. Para isso, todos os seus membros, na maior fraternidade, empenham-se com todas as forças mediante constante renovação, em viver com entusiasmo esse sublime ideal. 
Na Igreja e com a Igreja, é na Unidade e Trindade de Deus que a CMSIA encontra os supremos princípios de sua ação na COMUNHÃO e de sua vida na PARTICIPAÇÃO. Como a ação de Deus voltada para os homens procede da Unidade de sua natureza divina e a vida de Deus procede da Trindade das pessoas divinas, assim também toda a ação da CMSIA dimana da COMUNHÃO de todos os seus membros e sua vida dimana da PARTICIPAÇÃO dos mesmos. 
Assim, reunidos em comunidade, na mais estreita COMUNHÃO , pregamos o Amor do Pai que, pela Missão de seu Filho, redime os homens, para fazer deles seus filhos adotivos pelo Dom do Espírito Santo (Jo 3,7; Gal 4,4-7); 
Com a PARTICIPAÇÃO, formamos um só coração e uma só alma, a fim de que todos creiam (Jo 17,21). 
A vida fraterna é, portanto, uma característica entre todos os membros da CMSIA. Deve ser o seu modo ordinário de viver. É uma convivência fraterna que se alimenta continuamente de sua própria obra missionária, forma a comunidade em busca do progresso pessoal e comunitário e dá eficácia ao anúncio da Boa Nova. 
Na CMSIA todos devem colaborar com a comunidade, num espírito de entrega e de aceitação mútua de oferenda de si mesmo. E para isso: 
Haja da parte de todos sagrado respeito pela vida privada dos outros, pela boa fama e integridade pessoal (CDC 220);
Não se admite jamais qualquer espécie de coação na vida consagrada de cada um. (CDC 219);
A comunidade deve promover os valores pessoais e os carismas de todos e de cada um;
Não só os carismas, mas também as adversidades e até mesmo as ocorrências mais adversas de todos, devem “concorrer para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8,28), e tornar mais eficaz o trabalho da evangelização. 
Nossa vida Fraterna é uma participação da Vida de Deus em nós. A impetuosa corrente de Amor que circula entre as Pessoas Divinas, ao invadir cada um(a) de nós, nos liga uns(as) aos outros(as), pois Deus é essencialmente comunitário.
“Façamos o Homem e a Mulher à nossa Imagem e Semelhança” (Gn 1, 26a.)
Assim, nossa consagração estabelece uma comunhão especial entre nós e Deus e, n’Ele, entre todos os membros da CMSIA. Este é o elemento fundamental da Unidade em nossa família.
Nossa Sociedade de Vida Apostólica, reunida como uma verdadeira família no nome do Senhor, goza da sua presença (Mt 18,25), graças ao Amor de Deus que é derramado nos corações pelo Espírito Santo (Rm 5,5). A nossa UNIDADE torna evidente a vinda de Cristo e é dela que provém uma poderosa eficácia apostólica.
A unidade de nossa Sociedade de Vida Apostólica pede-nos um forte sentido de pertença ao corpo eclesial que somos. Cada membro, destas três famílias que compõem a CMSIA, há de expressá-lo em sua fidelidade a um projeto Comum de vida (Carisma), segundo o Espírito de nossas Constituições.
Consideramos fundamental cultivarmos um profundo respeito às diferenças individuais de cada membro, respeitando o ritmo próprio de cada um, seus talentos, personalidade, temperamento, limitações, incentivando e buscando sempre o desenvolvimento constante e pleno de todos e de cada um em particular. Cada membro seja valorizado pelo que “É”, aprenda a descobrir seus valores e a aceitar seus limites, numa profunda reverência ao Mistério de seu ser e do Deus que nele habita.
Um sinal simbólico dessa condição é o uso do termo “frei” ou “frade”. Todos os membros admitidos (noviços) ou incorporados (frades) chamam-se FREIS, que significa “irmão”. Mesmo aqueles que, sendo ordenados, são “padres”, mantêm o belo costume de chamarem-se freis.

Organização
8.1 Fundação e condição canônica
Em 1981, estabeleceu-se como um Instituto o Movimento Comunhão e Participação que já atuava de longa data na formação e líderes cristãos e na vivência do carisma. Leigos e leigas dedicados à vida missionária formaram e desenvolveram toda a primeira fase da vida de nossa Família. Desses grupos foram surgindo vocações à vida consagrada. Em 1991, nosso Fundador, o cônego Gino Serafin, fundou a Família com os três ramos: leigos, frades e irmãs. Hoje, a CMSIA é uma Associação Pública de Fiéis, conforme e no teor do decreto Diocesano de Bauru de 17 de outubro de 2006, como segue:

8.2 Ereção Canônica
  Como se vê no Decreto de ereção canônica como Associação Pública de Fiéis, a intuição e a intenção eclesial e de um futuro Instituto de Vida Consagrada, no formato canônico de Sociedade de Vida Apostólica. Para tanto, já vivemos de fato tudo o que nos é possível viver nessa condição, de modo a, cumprindo os passos previstos de acompanhamento do Magistério, possamos um dia vive-lo também de direito.
  
8.3 Governo
  O Conselho Geral é eleito a cada três anos, conforme Regimento Interno, nas pessoas do Superior, Vice-superior, Secretário, Chanceler, Prefeito para Formação e Conselheiros Adjuntos. O Conselho Geral se reúne ordinariamente três vezes ao ano e, extraordinariamente, tantas vezes quantas forem necessárias e mediante convocação do Superior.


Admissão
O processo de promoção, animação e acompanhamento se dá fazendo uso dos diversos meios disponíveis: internet, rádio, pastorais, folders etc. Contudo, o testemunho dos membros é o que almejamos construir em nossas comunidades como verdadeiro “portfólio” vocacional.
O processo de discernimento, antes do ingresso, varia de 12 a 18 meses, contando com diversos encontros. Há alguns anos, vimos contando com psicólogos que vêm oferecendo grande suporte técnico na descrição de perfis, ajustes individuais etc.
Durante o processo, os frades responsáveis fazem as devidas consultas aos padres das comunidades de origem dos candidatos e, o quanto possível, visitam as famílias.
Concluído o processo, os candidatos que forem aprovados são recebidos para a Formação Inicial.

Formação
10.1 Formação Inicial
a) Aspirantado: acolhida e adaptação à vida fraterna, formação humana e religiosa, vida intensa de oração. Duração de seis meses a um ano. Escrutínios e votação da Equipe Formativa para ser aprovado ao Postulantado.
b) Postulantado: formação humana e religiosa, vida intensa de oração, estudos iniciais sobre a CMSIA. Duração de seis meses a um ano. Escrutínios e votação da Equipe Formativa para ser aprovado ao Noviciado.
c) Noviciado: vida intensa de oração, formação intensa sobre a CMSIA, Teologia da Vida Consagrada e Espiritualidade. Duração de um a dois anos. Escrutínios internos e externos e votação do Conselho para aprovação aos Votos Temporários.
d) Juniorato: vida fraterna, apostolado, formação Filosófico-Teológica. Duração de três a nove anos (renovação dos votos).
- Tirocínio: durante o Juniorato, o frade é enviado para um ano de prova missionária, o quanto possível ao término da Filosofia e antes do início da Teologia;
- Triênio: por ocasião da conclusão do primeiro triênio do Juniorato, o Conselho promova extenso escrutínio e análise do pedido de incorporação definitiva pelos Votos Perpétuos.

Durante todo o proceso, os frades formadores fazem uso dos meios pedagógicos disponíveis para promover a formação humana e religiosa. Também contam com o apoio de profissionais de áreas afins que somam esforços no proceso formativo: psicólogos, fonoaudiólogos, professores etc., além dos diretores espirituais.

10.2 Formação Permanente
Os frades de Votos Perpétuos que se sentem chamados ao Ministério Ordenado, tendo o assentimento do Conselho, prosseguem os estudos Filosófico-Teológicos em vistas disso. Os frades cujo apostolado não está vinculado aos graus da Ordem, podem dedicar-se a cursos e atividades condizentes com sua condição de vida e conforme acordo com o Conselho, para sua realização pessoal e para o bem da CMSIA.
  O Superior Geral tem o encargo de manter viva a formação contínua e permanente dos membros da CMSIA. Para isso, além dos exercícios espirituais anuais previstos nas Constituições, sejam oferecidos subsídios e instrumentos que contribuam para sã atualização humana e religiosa dos frades.

Ordenação e Incardinação
Os frades que vêm se preparando para o Ministério Ordenado, tendo sido cumpridas todas as exigências canônicas, tendo passado pelo ano de prova (Tirocínio), tendo obtido bom resultado nos escrutínios e tendo sido aprovados na votação do Conselho, são apresentados à autoridade eclesiástica da Diocese de Bauru, conforme Decreto de ereção canônica de nossa Família. O Bispo Diocesano conduzirá o processo de avaliação de cada caso apresentado conforme os costumes e regulamentos da Diocese, junto ao seu Conselho de Presbíteros. Sendo aprovado o candidato, emite-se a Carta Dimissória e o frade é ordenado, sendo incardinado na Diocese de Bauru. Contudo, tendo estar vinculado à CMSIA, no teor do Decreto, é dispensado da necessidade atuar na Diocese, e pode dedicar-se ao apostolado conforme os projetos comuns da CMSIA.