DOMINGO DE PÁSCOA – RESSURREIÇÃO DO SENHOR

O evangelista, através desta indicação, quer assinalar aos seus leitores que a observância da lei “adia” a experiência da nova criação que é inaugurada por Jesus.
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16 DE ABRIL DE 2017

“Ele devia ressuscitar dos mortos”

Comentário de pe. Alberto Maggi OSM
Tradução e adaptação: frei Alfredo Francisco de Souza, SIA

Jo 20,1-9

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”. Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou. De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.

Se Maria Madalena tivesse ido ao sepulcro um dia antes, celebraríamos a Páscoa um dia antes. João escreve no capítulo 20: “O primeiro dia da semana”. Na verdade, literalmente, é escrito “no primeiro dia depois do sábado”, Maria Madalena foi ao túmulo.

Por que Maria Madalena não foi ao sepulcro logo depois do sepultamento de Jesus, mas esperou o primeiro dia depois do sábado? Porque ainda age de acordo com a observância da lei do repouso do sábado. Logo, a observância da lei a impediu de experimentar, tão antes quanto possível, da vida que havia em Jesus, uma vida capaz de superar a morte.

O evangelista, através desta indicação, quer assinalar aos seus leitores que a observância da lei “adia” a experiência da nova criação que é inaugurada por Jesus. A expressão “o primeiro dia da semana” recorda o primeiro dia da criação. Em Jesus há uma nova criação, verdadeiramente criada por Deus, que não conhece a morte e que não tem fim.

Mas, a comunidade representada por Maria Madalena ainda está condicionada pela observância da lei. Por isso “atrasa” a experiência da ressurreição.

“Quando ainda estava escuro”. As trevas são imagens da incompreensão da comunidade que ainda não conhece Jesus, que havia se definido como “Luz do mundo”, referindo-Se à Sua mensagem, à Sua verdade.

“E viu que a pedra havia sido retirada do sepulcro”. A primeira reação de Maria Madalena é correr ao encontro de Simão Pedro e do “outro discípulo”. Jesus havia dito: “é chegada a hora em que vos dispersareis, cada um por sua conta”. Assim, o autor do quarto Evangelho atribui a esta mulher, Maria Madalena, o papel de “pastor” que pastoreia as ovelhas que se tinham dispersado.

“E anunciou-lhes: tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram”! Madalena não se refere a um corpo, mas fala do Senhor. Portanto, já existe aqui a alusão de que Jesus está vivo. Então, o que fazem Pedro e o outro discípulo? Vão ao sepulcro, o único lugar onde não deveriam ir.

No Evangelho segundo Lucas isso será bem apresentado pelos homens que impedem as mulheres de irem ao sepulcro, “Por que procurais entre os mortos aquele está vivo?” Pedro e o outro discípulo vão à procura do Senhor no único lugar onde Ele não está, isto é, no lugar da morte. Como Maria, por causa da observância do sábado atrasam a experiência de uma vida mais forte do que a morte, porque Jesus não pode ser preso no sepulcro, lugar de morte.

A verdade é que, quando se chora alguém morto, isto é, ao voltar-se para o túmulo, não é possível fazer a experiência da pessoa viva e vivificante na própria existência. Os dois discípulos correm e o discípulo amado, aquele que faz a experiência do amor de Jesus, chega primeiro. Contudo, Pedro, que recusou que Jesus lhe lavasse os pés e, portanto, não quis aceitar o amor de Jesus expresso no serviço, chega depois. Mas o outro discípulo pára e permite que Pedro entre primeiro no sepulcro. Por quê? Porque é importante que o discípulo que havia traído Jesus e para o qual a morte é o fim de tudo – este era o real motivo da traição – faça primeiro e antes de todos a experiência da Vida. E depois, então, o outro discípulo entra no sepulcro: “viu e acreditou”.

Mas o aviso mais importante do evangelista está no fato de que "ainda não haviam compreendido as Escrituras segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos." Na verdade, a preocupação de João consiste em que se possa crer na ressurreição de Jesus apensa vendo os sinais da Sua vitória sobre a morte. Não! A ressurreição de Jesus não é um privilégio concedido a qualquer personagem de dois mil anos atrás. Trata-se de uma possibilidade para todos os que creem, ainda hoje!

Mas como é possível o que disse o evangelista?: “Ainda não haviam compreendido as escrituras na qual ele devia ressuscitar dos mortos”. A acolhida da Escritura, a Palavra do Senhor na vida do discípulo, a radicalização desta mensagem em sua vida e a transformação que a mensagem provoca em sua vida permitem ao discípulo ter uma vida de tal qualidade de fé, capaz de fazê-lo experimentar o ressuscitado na sua própria existência. O que João quer que os seus ouvintes compreendam é que não se crê que Jesus ressuscitou apenas por causa do sepulcro vazio, mas se crê ao encontrá-lo vivo e vivificante na própria vida.