Liberdade de escolha: Vida ou Morte?

Deus deu ao homem a liberdade de escolher a vida ou a morte, bem como de observar ou de recusar os Seus preceitos. “Diante do homem estão a vida e a morte, o bem e o mal; ele receberá aquilo que preferir”, avisa a primeira leitura (Eclo 15,16-21).
DOIS-CAMINHOS

(Reflexão da Palavra de Deus no VI Domingo do Tempo Comum)

Deus deu ao homem a liberdade de escolher a vida ou a morte, bem como de observar ou de recusar os Seus preceitos. “Diante do homem estão a vida e a morte, o bem e o mal; ele receberá aquilo que preferir”, avisa a primeira leitura (Eclo 15,16-21).

Infelizmente, muitos, também no passado, mas, sobretudo na sociedade moderna, tem eliminado e continuam a eliminar Deus das suas vidas.

O motivo consiste no fato de que estes puseram como objetivo único da sua existência o absoluto da razão, com a consequência de ter dado vida a múltiplas idolatrias tais como a da ciência e das tecnologias mais avançadas, do bem estar, da liberdade, do poder do domínio e do ter.

Idolatrias estas que, como pensava o filósofo e sociólogo alemão, naturalizado americano, H. Marcuse, reduziram o homem a uma única dimensão, exclusivamente horizontal, na qual não existem mais os princípios morais, a verdade metafísica e espiritual, a distinção entre o bem e o mal, tampouco a autoridade familiar e social, no mais profundo sentido dos valores que se impõem na vida em sociedade.

É claro que os que se encontram nesse quadro já escolheram a morte, ao contrário de muitos que se esforçam para escolher o que pode dar vida e, ao final da sua própria existência dada por Deus, retornar a Ele. Esses, diferente dos primeiros, escolheram livremente a vida.

Parece que o filósofo alemão Schopenhauer (1788-1860) tinha razão, quando em um dos seus aforismos, dizia: “O destino embaralha as cartas, mas somos nós que jogamos”. São duas as categorias de pessoas diante da encruzilhada da vida ou da morte. “Entre os perfeitos nós falamos de sabedoria, não da sabedoria deste mundo, nem da sabedoria dos poderosos deste mundo que, afinal, estão voltados à destruição".

Falamos, sim, da misteriosa sabedoria de Deus, sabedoria escondida, que desde a eternidade Deus destinou para nossa glória. Nenhum dos poderosos deste mundo conheceu essa sabedoria”, nos lembra o Apóstolo Paulo na segunda leitura (1Cor 2,6-10).

Portanto, os “perfeitos” são aqueles que reconhecem na Sabedoria existente antes dos séculos, Cristo Crucificado e Ressuscitado. Já os “poderosos deste mundo”, os estultos são os que, raciocinando segundo a carne, não conseguem compreender e, portanto, crer em Cristo Crucificado e Ressuscitado, Sabedoria eterna da nossa futura glória.

A partir do que São Paulo afirma aos cristãos de Corinto, a respeito da humanidade, resta-lhe três possibilidades de apresentar-se diante de Cristo, Sabedoria eterna do Pai.

A humanidade pode apresentar-se diante de Cristo com adesão plena, com indiferença ou com rejeição deliberada.

No primeiro caso estão aqueles que, livremente, escolhem caminhar, como diz São Paulo, guiados pelo Espirito Santo, de modo a não se submeterem mais ao pecado (Gl 5,18).

No segundo caso estão, ao contrário, aqueles que, como escreve São João no Apocalipse, “não são nem quentes, nem frios” (Ap 3,15-16). Trata-se de pessoas amorfas, indiferentes a Cristo.

No terceiro caso se inserem aqueles que, abertamente e de plena consciência, recusam a Cristo, preferindo agir e pensar segundo a carne (Gl 5,19-21).

No Evangelho deste Sexto Domingo do Tempo Comum (Mt 5,17-37) ouvimos que “Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. Vós ouvistes o que foi dito aos antigos...mas eu vos digo”.

O que foi dito aos antigos na Lei de Moisés? Proibições e propostas de vida, sobre as quais Jesus, com a Sua autoridade de Sabedoria eterna do Pai, transforma positivamente.

Se bem compreendidos e utilizados, são capazes de mudar radicalmente não apenas o coração do homem, mas também o rosto da sociedade humana.

O risco que corremos, não somente cada um de nós, mas toda a sociedade é o de “anestesiar” o efeito salutar daqueles seis “Mas eu vos digo”, com a esperteza com a qual nos acostumamos, adaptamos ou cortamos as exigências da Palavra de Deus para que se adequem a nós ou às tendências atuais.

Mas com esta estratégia, com uma veia, talvez, pessimista, constata-se que a espécie humana, que já se contorcia no delírio febril dos fracassos que experimentou, parece que agora enlouqueceu.

A ganância por mais e mais poder, consumo de bens e fama, gerou a indigência do necessário, a sede de liberdade e a insatisfação do prazer.

Contudo, mesmo depois desta análise preocupante, resta-nos ainda um sinal de esperança. Todo o amor que podemos derramar do nosso coração devastado, muitas vezes, seja para Ti, Jesus Crucificado, que foste atormentado por amor de cada um de nós. Agora nós é que somos tocados com todo o poder do teu amor implacável.

Que a Palavra de Deus nos ajude a refletir e nos dê coragem para colocarmos toda a nossa vida n’Ele que, com a Sua vinda pode mudar a história do mundo e a de cada individuo.