Solenidade de todos os Santos e Santas de Deus

Os santos são aqueles que encontraram a sua felicidade no caminho que Jesus propôs. Por isso os chamamos de "beatos", isto é, felizes.
Tutti-i-Santi

Como todo ser humano, Jesus também procurou o segredo da felicidade. O encontrou no relacionamento filial com Deus e no encontro fraterno com as pessoas que reunia ao Seu redor.  Muitos O escutavam e O seguiam contentes até que, ao final, desgraçadamente equivocados, O denunciaram e O condenaram à morte.

Jesus havia descoberto que o anúncio de um Deus que é um Pai bondoso encontrava espaço no coração das pessoas simples e também daqueles que viviam às margens da sociedade. Dessa descoberta nasceram as bem-aventuranças, que podemos considerar a síntese do caminho da felicidade e de todo o Seu Evangelho, apresentado no Evangelho segundo Mateus (5,1-12a), que nos é proposto na liturgia da Solenidade de Todos os Santos.

Os santos são aqueles que encontraram a sua felicidade no caminho que Jesus propôs. Por isso os chamamos de "beatos", isto é, felizes.

Os santos e santas acompanham a história da Igreja, desde os primeiros apóstolos que deram a sua vida por causa da fé, até os nossos dias. Muitos deles foram reconhecidos de modo oficial pela Igreja e são lembrados durante o ano litúrgico. Muitos outros, porém, não se encontram inscritos no calendário. Ao invés disso, estão "impressos" na memória das nossas famílias, das nossas comunidades cristãs e da história.

Estão aí para lembrar-nos que, também nós, somos chamados a ser santos, a buscar a felicidade pelo caminho que Jesus nos ensina. 

Jesus chama de felizes, isto é, bem aventuradas, a algumas pessoas que, segundo o nosso ponto de vista e da sociedade, não são felizes. Refiro-me aos que choram, ou os que são perseguidos; ou a pessoas que tem qualidades que não compreendemos, como por exemplo, os "pobres em espírito" ou os “puros de coração”?

O motivo da felicidade dessas pessoas não está naquilo que fazem como semear a paz, por exemplo. Tampouco por causa das suas qualidades interiores, como serem misericordiosos. O motivo da felicidade, da bem-aventurança está no que Deus faz com elas e por elas, e que Jesus exprime na segunda parte de cada bem aventurança.

Portanto, fica claro que Deus dá o Seu Reino aos pobres em espírito e aos perseguidos por causa da justiça. Deus consola quem chora e dá a terra a quem não a possui com violência. Deus sacia quem tem fome e sede de justiça, trata com misericórdia a quem usa de misericórdia. Deus se faz visível aos puros de coração (verão a Deus), e considera filhos Seus aqueles que constroem a paz. Deus recompensa largamente àqueles que são perseguidos pelo fato de viverem e testemunharem como discípulos de Jesus.

Para Jesus, portanto, a fonte da felicidade verdadeira é quando Deus se faz próximo e age na história das pessoas. Deus se ocupa de todos, é claro, mas tem também as Suas preferências, a começar por aqueles que têm as atitudes e ações que Jesus lista nesta página do Evangelho.

O que não sabiam, mas que Jesus revela como "boa notícia" é que todas as pessoas que têm estas características, em qualquer lugar deste mundo e a qualquer religião ou grupo a que pertençam, são visitadas por Deus, fazem parte do Seu Reino e recebem o dom da Sua presença e proximidade.

Mas como é que Jesus sabe disso? É por causa da Sua experiência pessoal, pois Ele vive como pobre em espírito e como humilde: "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração...". Ele tem fome e sede de justiça, pois recebe o Batismo de João para que se cumpra toda a justiça. É misericordioso, basta lembrar os diversos encontros com os pecadores. Ele constrói a reconciliação e a paz, e é perseguido por causa do Seu anúncio, até dar a Sua vida.

Se ser feliz é a nossa meta e se desejamos fazer parte do Reino de Deus, então a promessa de Jesus nos abre um caminho a percorrer. É preciso que comecemos, então, a procurar e a descobrir maneiras de tornar-nos pobres em espírito, mansos, misericordiosos e puros de coração, para construir a paz e a justiça, apesar de sabermos que enfrentamos e enfrentaremos perseguição. Em outras palavras, é preciso procurar viver sempre mais como Seus discípulos, aprendendo do Seu próprio exemplo.

Quando isso acontecer, pode ser que os outros nos considerem diferentes deles, como também pode ser que não compreendam o porquê do nosso comportamento, pelo fato de que teremos critérios diferentes para considerar o que, de fato, é a felicidade, como também qual o caminho a percorrer para alcançá-la.

Na segunda leitura (1Jo 3,1-3) São João nos recorda que somos filhos de Deus já, agora e em plenitude, porque Jesus, o Filho o revelou e nos abriu a porta da Sua casa. É claro que ao mesmo tempo ainda estamos a caminho.

Por ora continuemos a percorrer o caminho, como os peregrinos que iam para o Templo de Jerusalém cantando o salmo 23 que rezamos nesta liturgia: "Quem subirá até o monte do Senhor, quem ficará em sua santa habitação? Quem tem mãos puras e inocente o coração, quem não dirige sua mente para o crime".

Durante o percurso do caminho, o Apocalipse nos oferece uma visão do que nos espera no final. João “vê’ uma multidão imensa, composta de pessoas de todos os povos e línguas, que cantam os louvores do Cordeiro, que é o Cristo Crucificado e Ressuscitado. Esses trajam vestes branquíssimas e trazem palmas nas mãos. Lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro, isto é, conformaram a sua vida a vida de Jesus. Passaram pelo seu próprio caminho de morte e ressurreição e, portanto, trazem consigo a palma da vitória, que na antiguidade era o sinal dos vencedores, como para nós hoje é a medalha.

A visão reforça em nós a esperança da chegada após a longa caminhada, o encontro final, como também a força para imitar as atitudes e os comportamentos de Jesus, não como um peso, mas como uma resposta de amor e um caminho para a felicidade plena.