Solenidade do Natal do Senhor

Jesus mostrou-nos um novo modo de existir, indicando-nos a possibilidade de ver os outros como irmãos, de perdoar e de ser perdoados, de partilhar o pão. 
JOSÉ

“O Verbo se fez carne”

A missa do dia de Natal nos apresenta, a cada ano, um dos textos mais belos do Novo Testamento: o prólogo do Evangelho de São João (1,1-18). O evangelista João abre o seu Evangelho de modo explícito e direto, dizendo três coisas muito importantes. A primeira é que o Verbo de Deus se fez carne e que na humildade que assumiu na Sua carne, nós podemos contemplar, verdadeiramente, a glória de Deus, isto é, a Sua identidade profunda (1, 14.18).

A segunda é que o Verbo de Deus, manifestado na humildade da natureza humana, é também aquele por meio do qual foi criado o mundo, e tudo o que existe (1,2,3). De fato, o Senhor do universo, através do Filho, nos permite ver como n’Ele convivem a majestade e a humildade: dele se pode dizer que a humildade é esplendorosa e que esplendor é simples.

A terceira questão diz respeito mais diretamente a nós, destinatários da mensagem: “Mas a todos que O acolheram, deu-lhes o poder de virem a ser filhos de Deus, àqueles que creem em Seu nome (1,12). Deus se revelou não apenas para tornar-Se conhecido pelo homem, mas também para envolvê-lo numa relação de amor, e para partilhar conosco a sua própria vida divina, por meio do Espírito Santo. Em cada Santa Missa, ao celebrar este mistério, o sacerdote, quando prepara o cálice, diz em voz baixa: “Pelo mistério desta água e deste vinho possamos participar da divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que se dignou assumir a nossa humanidade”. A humildade da carne, à luz da fé, torna-se um mistério e um esplendor, porque foi escolhida por Deus para entrar e agir na história. 

A primeira leitura (Is 52,7-10) lembra-nos como no Verbo feito carne está a manifestação do reinar definitivo de Deus na história (“reina o teu Deus”). Já a segunda leitura sublinha, por sua vez, o Filho como a Palavra definitiva de Deus que, na história, já havia falado através de diversas maneiras, especialmente por meio dos profetas (Eb 1,1-6).

Mas, foi quando Deus se fez carne que a salvação se manifestou de fato e definitivamente. O homem, realmente, é o ápice da criação, não somente porque é a criatura mais complexa, criado pouco “abaixo” dos anjos (cf Sl 08), mas também no sentido espiritual e moral, porque foi criado à imagem e semelhança de Deus, como projeto e objetivo do Criador.

A meta, portanto, dos que creem é tornarem-se humanos à imagem do homem Jesus de Nazaré, que ao nascer, revela o rosto de Deus e ao mesmo tempo, revela em Si, o projeto de como deve ser o ser humano. 

Jesus mostrou-nos um novo modo de existir, indicando-nos a possibilidade de ver os outros como irmãos, de perdoar e de ser perdoados, de partilhar o pão. Manifestou este amor até mesmo no sofrimento da cruz, e por isto mesmo celebramos o Seu Natal.

Celebrar o nascimento de Nosso Senhor quer dizer recordar o início dessa história para perceber que todas as promessas de Deus foram cumpridas.

São Paulo, na carta aos Romanos, lembra esta verdade ao dizer que  o Pai constituirá a Jesus Filho de Deus em plenitude, ressuscitando-O dos mortos (Rm1,4).

Naquela criança deitada na manjedoura já está presente a forma completa da Obra que Deus quer realizar através d’Ele; aquele menino é “salvação de Deus”. Jesus não nasce no meio das pessoas importantes, de acordo com os valores e critérios do mundo. Pelo contrário,  nasce no meio dos pobres, desprezados e sem importância aos olhos do mundo, para tornar importantes os pobres e não acolhidos pela vida, para torná-los importantes e escolhidos, segundo os critérios de Deus.

No nascimento de Jesus, está clara a ação de Deus que conduz o homem à sua plenitude, pela qual é possível amar, ainda que estejamos imersos num mundo onde o ódio está sempre presente; é possível  doar-se, ainda que vivamos numa sociedade egoísta; é possível chegar à comunhão e à participação, mesmo vivendo na cultura do individualismo.

Que o Senhor nos conceda conservar e aumentar a chama da nossa fé, para que possa conduzir-nos e confortar-nos no caminho desta vida. Que o nascimento do Menino Jesus renove as suas esperanças e alegrias! Que onde há tristeza, possa nascer a alegria; onde há trevas que brilhe a Sua Luz; que a amizade floresça onde há inimizades e guerras; que o desânimo dê lugar à esperança!

Desejo a você e à sua família e comunidade um ano novo abençoado! Deus está conosco! A Sua Nova e Eterna aliança tem agora um rosto de Criança para cumprir a Promessa da salvação! Desejo a você toda a Paz que traz o nascimento do Menino Deus. Feliz Natal. Frei Alfredo Francisco de Souza,SIA