Saudação pascal do superior

Jesus de Nazaré “sofreu por nós, para obtermos a salvação. Ele tanto sofreu de verdade, como também ressuscitou verdadeiramente”.
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Querido pai fundador, frei Gino, queridas irmãs e irmãos de toda família inaciana,

Tendo percorrido o caminho quaresmal, na escola perene de iniciação, podemos dizer com nosso patrono: “Eu procuro àquele que morreu por nós; quero Aquele que ressuscitou por nós. O que me espera é o meu nascimento.” (Inácio aos Romanos, 6) Só pode experimentar tais coisas quem é conduzido na pedagogia do Mistério: a mistagogia da Salvação daqueles que foram iniciados.

Jesus de Nazaré “sofreu por nós, para obtermos a salvação. Ele tanto sofreu de verdade, como também ressuscitou verdadeiramente”. (aos Esmirnenses, 2) Portanto, essa mística não é um evento teatral, esse mergulho no Mistério não depende das emoções, sentimentos ou lembranças, essa pedagogia é gratuita e conduzida por um Mestre generoso. O Tríduo Pascal nos oferece essa oportunidade. Não se trata de simular nada, nem de imaginar, nem de sentir. Trata-se de ser alcançado por esse Mestre na nossa própria humanidade, assumida por Ele. Somos alcançados onde estamos, como somos.

Só assim é que podemos rezar: “Meu espírito é vítima da Cruz, escândalo para quem não tem fé, salvação e vida eterna para quem crê. Onde está o sábio? Onde está o pesquisador? Onde está o sucesso dos intelectuais?” (aos Efésios, 18) Nada nem ninguém poderá nos dar segurança, a não ser a “água viva murmurando e sussurrando dentro de mim: ‘vamos ao Pai’” (aos Romanos, 7), pois diante de tal Mistério, não há nada visível ou sensível capaz de me seduzir. Sou seduzido pela esperança na vida, pois “é o mesmo Pai que me ressuscitará, como ressuscitou Jesus.” (cf. aos Tralianos, 9)

Portanto, o Tríduo Pascal inaciano é recheado da espiritualidade do nosso patrono. É preciso ressignificar a encarnação, a vida, a morte de Jesus. É a nossa vida que ele viveu. É a nossa morte que ele morreu. Só assim, faz sentido nossa fé em que é a ressurreição dele que nós ressuscitamos. É esse alegria imensa, tão encarnada, que nos faz inacianos que, “no meio de um mundo individualista, dividido, não solidário, queremos fazer presente o Senhor Ressuscitado, construindo fraternidade, aprendendo a amar de um modo novo” (Regimento Interno III, 6) e “sentindo-nos chamados a viver não só um amor encarnado, ligado às pessoas, lugares e tempo, mas também o amor de ressurreição que abrange todos os homens, sendo universal e eterno”. (Regimento Interno VI, 2)

Que a Páscoa de 2017 nos faça fitar os olhos no crucificado do Calvário do passado e reconhecê-lo nos crucificados das periferias existenciais de hoje. Que o fogo que nos aquece e ilumina, que é Cristo o Ressuscitado, faça-nos portadores de um calor e de uma luz tão novos que seduzam o mundo para que, lavados na água da Graça de Deus, entremos juntos no túmulo escuro e frio dos tantos sofrimentos das vidas ameaçadas à nossa volta, e as resgatemos por força e mandato do próprio Senhor de nossas vidas.

Vamos, irmãs e irmãos queridos! “Coragem”, sempre nos diz nosso fundador! O testemunho da vida dele é a confirmação de que o Carisma que lhe foi confiado é eficaz e pascal: um verdadeiro portador do resgate da dignidade humana! Louvado seja Deus por seu testemunho e ensinamento, amado frei Gino. Louvado seja Deus, queridos oblatos e oblatas, pela perseverança na prece e no discipulado inaciano de Cristo. Louvado seja Deus, queridos aspirantes à oblação e mães e pais inacianos, por terem respondido ao chamado do Senhor e caminharem conosco com tanta generosidade e alegria. Louvado seja Deus, queridas irmãs inacianas por serem a voz e a presença femininas em nossa comunidade. Louvado seja Deus, queridos aspirantes e noviço por serem sinal de Deus na vida de nossa família. Louvado seja Deus, queridos frades, pela comunhão de espíritos e adesão ao projeto comum de nossas vidas.

Uma Páscoa feliz, santa, inaciana e transformadora!!

Abraço fraterno e feliz.